Conversa com Fábio Ventura…

Conta-nos um pouco da tua história, quando começaste a escrever e o porquê?
Eu sempre tive uma grande imaginação e gosto por histórias. Quanto mais fantasiosas, melhor! Gostava bastante de criar pequenas histórias e por vezes ia mais longe e encenava-as com brinquedos ou com amigos. Mas foi aos 15 anos que realmente ganhei um gosto especial pela leitura, com a saga Harry Potter. A partir daí comecei a ler bastante, não só livros do género fantástico, mas qualquer história que me cativasse. A escrita veio mais tarde, aos 18-19 anos. Foi aí que comecei a trabalhar em vários projectos e ideias porque quis desafiar-me a mim próprio e escrever uma obra. Sem qualquer pretensão, escrevi a primeira versão do “Orbias”. Entretanto a faculdade roubou-me todo o tempo e criatividade e a escrita ficou em stand by. Sou licenciado em Ciências da Comunicação e dada a grande componente prática do curso, praticávamos imenso a escrita e a criatividade (reportagens, peças jornalísticas, argumentos, guiões, etc.). Quando terminei o curso, no final de 2008, fui confrontado com o desemprego (que continua…) e aí decidi pegar novamente na escrita e no “Orbias”. Uma vez que já tinha amadurecido a minha escrita, percebi que aquela primeira versão do Orbias não estava boa. Reescrevi-o completamente, uma transformação de 200%. Treinei bastante várias formas de explorar ideias, pesquisei imenso por palavras novas, fiz várias revisões, até chegar ao resultado final. Felizmente, após o envio do manuscrito, consegui captar o interesse da Casa das Letras que posteriormente decidiu publicar o livro. Foi um dos dias mais felizes da minha vida quando soube que iria ser publicado. É um grande previlégio fazer parte de uma editora tão boa e tento retribuir ao máximo.
 
 
Onde vais buscar ideias para criar as tuas histórias?
Imensos sítios. Basicamente a tudo! Sou do tipo de pessoas que se inspira com coisas tão simples e “invisiveis” como uma poça de água ou uma folha a cair de uma árvore. Algo que faço muito, especialmente quando estou a trabalhar numa obra, é exercitar a minha imaginação. Vejo imensos filmes, séries de televisão, videojogos, oiço muita música porque tudo tem algo que me inspira para as minhas ideias. Eu acredito na convergência de todos esses meios e acho que a sua influência só vem enriquecer a escrita, principalmente agora que as narrativas e as personagens desses meios são cada vez mais complexos. Em relação aos livros, tenho uma opinião diferente. Eu leio muito e tento ler todos os géneros que posso porque gosto de fazê-lo. No entanto, sou da opinião que para um autor ler muito é essencial apenas para melhorar e enriquecer a sua expressão escrita e para saber o que já foi feito. A minha prioridade na escrita é a originalidade e tento não seguir o que outros autores já fizeram só porque há uma certa tradição, seja no género fantástico ou noutro género diferente. Isso também vai ao encontro do meu estilo e hábitos de escrita. Diria que tenho uma escrita muito espontânea, gosto que as coisas saiam naturalmente, por mais absurdas que possam parecer. Acho que isso funciona bem no género fantástico.

 
O que nos podes adiantar sobre o teu novo livro?
O “Orbias-O Demónio Branco”, que sairá em Setembro, será uma continuação directa do primeiro livro. Todas as perguntas que ficaram no ar serão respondidas no novo livro, sendo que a história passa-se um ano depois dos acontecimentos do primeiro “Orbias”. Enquanto que o primeiro livro estava mais centrado na apresentação do mundo de Orbias, personagens e mitos associados, este segundo volume será muito mais centrado nas personagens e suas relações. A Noemi ganha um novo destaque enquanto protagonista e abandonei a ideia de ter uma segunda protagonista, como foi a Lorelei no primeiro livro. Apesar de a história não ter perdido a sua essência, “O Demónio Branco” está mais maduro, mais negro, intimista e as emoções serão mais fortes. As personagens, que começaram como um pouco imaturas, sofreram uma grande evolução devido às várias provações a que foram colocadas. Neste livro, tentei focar mais algumas questões como, por exemplo, o que é o Bem e o Mal e quem decide o que é um e outro, a força do Destino e, principalmente, até onde vamos por amor? Quis fugir a convencionalismo e tratar dessas questões de uma forma mais original. Eu sei que todos os leitores ficaram loucos com o epílogo do primeiro livro. Garanto que essa situação será explicada e será todo o fio condutor do segundo livro, até porque há duas personagens muito importantes que vão regressar…
 

Como reages às opiniões e criticas do teu livro ?
Reajo com muita humildade. E não o digo apenas para parecer politicamente correcto. Sendo o maior crítico de mim mesmo, tenho plena noção de que esta primeira obra tem algumas falhas, talvez devido a minha idade e falta de experiência ou por ser mesmo uma primeira obra. No geral, as várias opiniões e críticas literárias foram muito positivas. Fiquei coma noção que tinha conquistado o meu público-alvo e não só. Mas as opiniões também foram importantes para conseguisses identificar as falhas e os pontos fortes. Aproveitei algumas dessas críticas construtivas para melhorar neste segundo livro e creio que fui bem sucedido. Claro que ainda assim tenho muito a melhorar e a aprender, mas fico grato que assim seja. Espero ter sempre espaço para melhorar e desafiar-me a mim próprio para conseguir surpreender os leitores.
Claro que ao lidar com o público, também me deparei com algumas más experiências. Não podemos agradar a todos e a questão da qualidade ou do gosto nos livros (ou em qualquer outro meio) é sempre polémica. Acredito que todos os livros têm o seu lugar e não faz sentido haver tanto fundamentalismo. Digo isto enquanto leitor também. Mas o sucesso do primeiro livro e o grande carinho dos leitores compensa tudo isso. E apesar de ainda ser muito “pequenino” nesta indústria, sinto que tenho o apoio necessário para continuar com a minha carreira e…crescer.
 

O que mais podemos esperar do Fábio Ventura , que novidades nos vai oferecer em 2010?
Ora bem, 2010 vai continuar a ser o ano do Orbias. Continuo a divulgar o primeiro livro através da Internet e de sessões em escolas. O segundo volume sairá em Setembro e nessa altura estarei ocupado com a divulgação do livro. Até essa data, prometi aos leitores que iria publicar mensalmente no Blog um conto dedicado a cada Guerreira (colecção Orbias-A Reconstrução de um Sonho). É uma forma de compensação pela espera. Entretanto, também vou criar o novo Book Trailer.
Para além do Orbias, tenho já um novo projecto. Como este segundo volume vai fechar um ciclo da história, ainda não foi decidido se haverá um terceiro Orbias. Por isso, estou na fase de pré-produção de um novo livro (que funcionará sozinho) que, se tudo correr bem, pode ser lançado em 2011. Será uma história bem diferente, mais madura e com menos fantasia, mas com elementos sobrenaturais. Será dirigido ao mesmo público do Orbias, mas vou tenta alargar o interesse para um publico ligeiramente mais velho. O género fantástico é um género que adoro escrever pela liberdade criativa que me dá. Mas durante a minha carreira espero poder explorar outros géneros e estilos.

 

Obrigada Fábio pela tua disponibilidade e simpatia.

E sabes que poderás sempre contar com o apoio do esmiucaolivro:-)

 

Boas Leituras!!

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Este post foi escrito por esmiucaolivro quem tem escrito 325 posts no esmiucaolivro.

Uma Resposta “Conversa com Fábio Ventura…”

  1. Ana C. Nunes 15 15UTC Abril 15UTC 2010 23:07 #

    Gostei muito de ler esta entrevista. O Fábio parece ser, como já anteriormente tinah demonstrado, uma pessoa bastante humilde e simpática.
    As respostas estão dentro do habitual, mas ainda assim conseguindo dar informações novas a quem segue o trabalho dele.